13/01/2018

14 mulheres negras em Portugal para seguir no Instagram


Esta semana, no instagram, deparei-me com um pequeno desabafo da Valerie Eguavoen (@onacurve), fundadora do blog On a Curve, onde ela questionava a falta de representatividade no mundo da blogosfera.

Identifiquei-me com tantas das coisas que ela falou no seu post, que me pus a pensar em como a situação em Portugal não é muito diferente. A falta de representatividade ainda é um problema não só na blogosfera, como em todas as grandes mídias. Mas centremos-nos na blogosfera.

Quando eu comecei no mundo dos blogs entre 2012 e 2013, não conhecia mais nenhuma outra blogger negra por cá. Na verdade não conhecia bloggers portuguesas no geral. O meu primeiro contato com outras bloggers foram as brasileiras e as norte-americanas. Mais tarde comecei a acompanhar bloggers portuguesas, mas nenhuma negra. Sem exagerar, acho que só em 2016 é que de facto comecei a conhecer o trabalho de mulheres negras em Portugal na internet.

Hoje em dia, felizmente já existem muitas mulheres negras a fazer um trabalho incrível na internet, nomeadamente aqui em Portugal. Mas é muito difícil terem o reconhecimento e destaque que merecem.

Let's face it, em Portugal, a blogosfera é representada pelos mesmos rostos de sempre. São os mesmos rostos a marcar presença em eventos, a ganhar visibilidade das marcas e destaque nas grandes mídias. E se não é de todo por falta de pessoas diferentes a produzir conteúdo de qualidade, porque será?

A Valerie, que não é uma mulher conformada, não esperou pela resposta, arregaçou mangas e criou o @youbelongnow, que é, e passo a citar "um movimento de criadores de conteúdo que estão constantemente a ser negligenciados por causa do seu tom de pele, etnia, religião, género, idade...". Ela decidiu inaugurar o espaço divulgando 100 criadoras de conteúdo digital negras, e, para minha surpresa, eu tive a honra de ser uma delas. Fazer parte de uma iniciativa tão linda, e estar no meio de tantas mulheres poderosas, encheu-me o coração!

A iniciativa da Valerie deu-me a ideia de fazer aqui um shoutout às mulheres maravilhosas que sigo no instagram. Algumas delas são afrodescendentes como eu, outras nascidas num PALOP (País Africano de Língua Oficial Portuguesa). Nem todas são bloggers, algumas são youtubers, mas todas são inspiradoras, não só pelas fotos on point, mas também pelo mindset sólido que cada uma tem.

Infelizmente não consegui colocar aqui todas, e por isso de certeza que farei uma segunda parte.

Preparem-se para a dose de maravilhosidade que vão tomar agora!

CLÁUDIA SANTOS - @kllaublog

YOLANDA TATI - @yolanda.tati

SILVIA CASSANDRA - @silviacassandra

CUIIN - @that_blackk

JANDY - @__xjandyyx__

YONCÉ LOPEZ - @its.yonce

GILDA MBALAZAU - @gii_unit

 LILLA MBALAZAU - @misslills

LEONOR SILVA - @leonorssilva

DULCE CRISTÓVÃO - @dulcecristovao

WILMA MOISÉS - @sambapitaa


CUSTÓDIA SAMBO - @custodiasambo

ELISA - @zengxrl

Como eu disse, acompanho muitas mais, e se vocês gostarem deste post, farei uma segunda parte a indicar mais. Aproveitem para conhecer estas girls, garanto que não se vão arrepender! Valorizem e divulguem o trabalho de quem vocês admiram.

Já conheciam alguma destas instagrammers? Que outras criadoras de conteúdo negras vocês conhecem e acompanham? Recomendem-me, pois adoraria conhecer! 

12/01/2018

Sobre a H&M, racismo velado, e privilégios sociais


Não era para fazer um post sobre isto, pois já tinha deixado mais que clara a minha opinião em relação ao assunto no meu instagram (@umafricana, quem não seguir é um ovo podre). Mas lá senti necessidade de o fazer, por que afinal isto é o meu blog e nada mais justo do que eu deixar claro o meu posicionamento também aqui, no meu espaço favorito.

A internet ferveu na segunda feira por conta de uma camisola à venda no site da H&M que tinha escrita a seguinte frase: "coolest monkey in the jungle", ou em bom português: "macaco mais fixe da selva". E o modelo que usava esta camisola era nada mais nada menos do que uma criança negra.

O que isto tem de errado? Tudo. Sim, a H&M esteve mal. Pode até não ter sido propositado, mas foi uma grande falha. E todas as ações têm consequências, portanto foi o que se viu.

Mas como já era de esperar, há sempre um grupo de pessoas de fora que adora dar aquela típica opinião que, se me permitem, roça muito a falta de empatia e bom senso. Passo a citar (e rebater) algumas.

"Quem associa o macaco ao menino é que está a ser preconceituoso." Ok, let's get the facts right here. Historicamente falando, o termo "macaco" quando associado a uma pessoa negra, tem uma conotação muito negativa. Ponto. Portanto, estavam à espera de quê? Era óbvio que ia dar que falar, era óbvio que iria SIM ofender. Não é justo inverterem os papéis e quererem acusar quem se sentiu lesado de preconceituoso. Aliás, não tem sentido nenhum.

Sim, um menino negro usar uma camisola com aquele tipo de frase não deveria ser ofensivo, mas é, a partir do momento em que utilizam esse termo para nos ofender desde dos primórdios.

Reparem, não é só sobre o termo em si. É sobre toda a carga negativa e histórica que isso implica e simboliza, e que se prolonga até hoje, ainda que muitas vezes de uma forma velada. Caso não saibam, até há pouco mais de 60 anos atrás, haviam pela Europa e pelos EUA zoológicos humanos. Zoológicos onde pessoas negras serviam de entretenimento à elite branca, como atrações numa Disneyland. Isto para não enumerar outras milhentas situações a que o nosso povo negro foi (e é) sujeito desde sempre. Portanto, não me digam que "o racismo está nos olhos de quem vê", quando ele nos foi empurrado goela abaixo pela sociedade, há muito tempo.

"Há coisas mais importantes do que isto."   Sim, eu sei que há. Eu, Sandra, estou consciente disso e faço questão de passar a mensagem nas minhas redes sociais sempre que posso. Mas duvido muito que a maioria das pessoas que diz que "há coisas mais importantes que isso" realmente se importe com essas outras coisas. Vou dar-vos um exemplo. Um dia antes, partilhei esta iniciativa maravilhosa da Kéké no instastories, adivinhem? Muito pouca gente leu. Se é que realmente leram. I mean....? Percebem o quão hipócrita é trazerem esses outros assuntos à baila por conveniência? Onde estão estes moralistas para defender essas outras coisas com o mesmo empenho que minimizam uma dor que não é sua?

E o irónico no meio disto tudo é que a grande maioria das pessoas que acha isto tudo vitimismo e exagerado são pessoas brancas/caucasianas. O que por si só já diz muito, não é mesmo? Engraçado como falam com tanta propriedade de um assunto que lhes passa muito ao lado. Uma dica de amiga: reconheçam os vossos privilégios sociais e sejam um pouco mais sensatos. Se é uma opressão da qual não sofrem, porque opinam como se entendessem tanto do assunto? Porque é que se acham no direito de questionar se devemos ou não  ficar ofendidos?

Para 2018, cultivem empatia dentro de vocês, é de graça e só vos fica bem. Respeitem, procurem entender e apoiem, ou então não atrapalhem. Peace.

31/12/2017

O último post do ano, outra vez.


Já é quase tradição eu fazer um post aqui no blog final do ano. Este ano não o ia fazer, mas achei o último post tão bad vibes que não quis deixar assim.


Não foi um ano fácil. Mas eu estava tão focada nas coisas más que me aconteceram ao longo do ano, que me esqueci das boas. Passei por tantas situações chatas, sabe-se lá Deus quantas vezes me desidratei de tanto chorar, mas aqui estou eu. Pronta pra mais um ano.

Mas, como eu disse, o meu ano não foi feito só de coisas más, aconteceram muitas coisas incríveis também. Comecei o ano a ser convidada como blogger para um evento, o Moda África Lisboa. Fiquei tão contente por ser notada e convidada para um evento que me diz tanto. Pouco depois fui convidada para dar uma entrevista na TV, e logo em seguida para gravar uma pequena reportagem. Apareci duas vezes na TV, graças ao blog, e embora eu tenha tremido que nem varas verdes do início ao fim, foi muito gratificante.

Mudei várias vezes de penteado, e fiz as minhas tranças favoritas de sempre, as rosa. Não foi muito bem aceite por muita gente, mas eu nunca me importei menos. É a melhor sensação de sempre não dar a mínima para o que os outros pensam.

Cheguei aos 10mil seguidores no Instagram sem trapacear. Foi inacreditável para min, porque em março de 2016 eu tinha pouco mais de 2000, e não colocava se quer a hipótese de atingir esse número no ano seguinte. Daqui a uns 5 anos talvez, ahah. Mas modéstia à parte, eu esforcei-me para isso, e corri atrás. No meio desse processo, sou muito grata ao Inxtalove por tudo o que me ensinou. Sem o Inxtalove acho que nunca teria chegado onde estou hoje, ou teria demorado mais tempo, talvez.

Trabalhei com vários fotógrafos incríveis, o que me fez gostar cada vez mais do mundo da fotografia, e sem dúvida vou apostar muito nisso em 2018. Inclusive fiz parte de um projeto incrível, o Golden Era. Farei um post a falar um pouco sobre isso muito em breve.

Conheci pessoas maravilhosas, tanto na vida real como na virtual. Comi imenso, ri imenso também. Passei por cada situação embaraçosa com os meus amigos que só por Deus. Mais umas quantas histórias para contar aos meus filhos e netos, um dia.

Conheci mais um pouco de mim mesma, e cada vez percebo mais o quão complexa eu sou, o quão complexo é o ser humano. O quão somos falhos. Perfeitos nas nossas imperfeições. E tá tudo bem.

Não foi um ano fácil, mas conseguir reunir todas as coisas boas fez-me sentir as coisas com mais leveza. Sou muito grata por tudo: desde das mensagens de carinho que recebo nas redes sociais (obrigada por acreditarem em mim), até ao facto de ter uma cama confortável onde me deitar todos os dias. Gratidão por tudo isso, mesmo.

Para 2018 tenho muitas metas. Quero sobretudo ser uma pessoa melhor, que ao final do dia se sente bem consigo mesma em todos os aspetos. Talvez eu não consiga cumprir todas as metas, talvez algumas não se concretizem como esperado. Mas estou com um pensamento positivo e quero acreditar que será um ano em cheio.

Espero que vocês tenham um ótimo 2018, e que realizem todos os vossos objetivos. Ah, e que me continuem a acompanhar, ahah!


Até para o ano. ❤
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